Carlos Damião


 

REFRESCO

 

Praia da Daniela, Norte da Ilha de Santa Catarina, neste sábado de sol -- que logo virou pra vento Sul. Faz frio de novo na capital catarinense nesta madrugada de domingo.



Escrito por Carlos Damião às 00h09
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GRIPE AVIÁRIA, LULA & O BEIJO

QUE NÃO HOUVE

 

Está no ar (via Internet) um trailer do último lançamento da Disney - é "O Galinho Chicken Little".

Nada mais inapropriado para estes tempos de greve aviária ameaçando a humanidade.

-o-o-

Por falar nisso, dizem que o presidente Lula não viaja mais de avião. Tem medo de pegar a gripe aviária.

Que maldade.

-o-o-

Lula mais uma vez se perde e põe a culpa na imprensa. OK, presidente, acho que o senhor andou aprendendo alguma coisa com os companheiros Fidel, Bush e Chávez. Na falta do que dizer a respeito dos graves temas que o cercam, lança mão da primeira justificativa que vem à cabeça. Ah, esses malditos jornalistas...

Foram muitos desses malditos jornalistas que ajudaram a construir o PT (lembram da Folha de S. Paulo, petista roxa até 2002?).

-o-o-

"Um jovem homossexual que mantinha boas relações sociais na Capital e, segundo garantem todos os que o conheciam, era incapaz de matar um mosquito"... (Da coluna do respeitado jornalista Moacir Pereira, no jornal A Notícia, sobre o assassinato do colunista Ricardo Bavasso, um quarentão).

Trocar umas duas letras nessa frase...

Ah, e cuidado aí, Mosquito, porque a coisa tá feia pro teu lado.

-o-o-

Está no site da Globo, para quem quiser ler, as trocas de acusações entre a poderosa emissora e a novelista Gloria Perez. Uma põe a culpa na outra pelo corte do beijo gay na novela América, o maior golpe de marketing que um canal de televisão já praticou contra a audiência.



Escrito por Carlos Damião às 00h07
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VISTA AÉREA...

 

...em imagem enviada por meu irmão, Maurício. Não consegui apurar a autoria. Mas que Florianópolis é um espetáculo, isto é.



Escrito por Carlos Damião às 22h40
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AMÉRICA, ENFIM

 

Assisti boa parte do último capítulo de América no meu botequim preferido, o Caiçara. Uma platéia de pinguços, muito mais interessante do que ficar trancado no apartamento. Me senti num cinema, com um monte de gente fazendo “shhh!” quando alguém falava.

Impressões:

1 – A autora Gloria Perez é mestre no folhetim. Lembra Janete Clair, embora tenha cometido alguns exageros, entre os quais o excesso de “politicamente correto”, que é legal, mas é uma chatice.

2 – O tal do beijo gay foi uma das melhores sacadas novelísticas dos últimos tempos. Gloria Perez e a Globo conseguiram espetacularizar uma questão complexa, mas relativamente aceitável pela sociedade. Vide a quantidade de pessoas atraídas para o final da novela, nos bares e nos lares, à espera da cena que não aconteceu. Além de espetacularizar, Gloria e Globo conseguiram enganar milhões de brasileiros.

3 – A presença de Daniel e Caetano Veloso, cantando em Boiadeiros e no subúrbio do Rio, foi outra boa sacada. Deu um formato interessante ao capítulo final.

4 – O melhor personagem do folhetim foi, nenhuma dúvida quanto a isso, Carreirinha, interpretado magistralmente por Matheus Nachtergaele.

5 – Numa avaliação final, considerando tudo o que era previsível, América até que não foi de todo mal. Quando pude assistir, procurei tirar o som da TV nas cenas com Cristiane Torloni, Edson Celulari, Débora Secco, Murilo Benício e outros xaropes. Novela tem disso, filme tem disso: muitas chatices e algumas coisas boas.



Escrito por Carlos Damião às 22h38
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CAPRICHO

 

Vejam só como a natureza é caprichosa. O busto mais bonito na Praça 15 de Novembro, nestes tempos de primavera, é justamente o que retrata o pintor catarinense Victor Meirelles. Não é que a folhagem “percebeu” que o homem era um grande artista?



Escrito por Carlos Damião às 00h10
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O ARTISTA “GOVERNADOR”

 

Falei no Victor Meirelles ali na legenda da foto. Lembro-me que outro dia estava na praça e vi uma senhora mostrando os bustos (ops...) para o netinho. “Esse é o Cruz e Sousa... Aquele o Jerônimo Coelho... Ah, esse é o Victor Meirelles”. O netinho perguntou: “Quem foi Victor Meirelles?”. Ela pôs os óculos, esforçou-se o máximo que pôde para ler o que estava escrito abaixo do nome do homenageado. “Foi governador de Santa Catarina”, respondeu de forma rápida e rasteira, e seguiu seu rumo puxando o menino pela mão.

Eu, na minha santa ignorância, fiquei pensando com meus botões: “Não sabia que o pintor havia sido, também, governador do Estado”. Fui então conferir mais de perto. Está escrito: “Victor Meirelles. Homenagem do Governo do Estado”. O problema é que a letra é miudinha demais e os meus óculos são mais potentes (3 graus e tanto de miopia) do que os da apressada velhinha que ludibriou o netinho com sua leitura dinâmica.



Escrito por Carlos Damião às 00h08
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LONGE DAQUI, AQUI MESMO

 

Tenho evitado os temas políticos porque andei escrevendo no lugar de meu amigo Cláudio Prisco em A Notícia. Foram 17 árduos dias só falando de política, 6 mil caracteres diários -- o que dá 102 mil caracteres ou 48 páginas de papel A4. Cansei. Não quer dizer que vá deixar de gostar. Nem poderia, pois vivo quase a vida inteira trabalhando como setorista de política.

Mas os últimos acontecimentos realmente me fazem sentir como a amiga Cris, de Belo Horizonte: em certos momentos, tenho vontade de ter nascido alienado. Até tentei por uns dias, procurando ouvir mais música do que assistir ao noticiário. Mas hoje, quando saiu a revelação da grana do Banco do Brasil financiando o valerioduto, PT, Delúbio et caterva... O sangue político voltou a ferver. Mas me preservo o direito de não ampliar comentários sobre o fato. A coisa fala por si.



Escrito por Carlos Damião às 00h06
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A MESMA RUA

 

De fato, a foto histórica (veja o post anterior) mostra a Rua Anita Garibaldi há 90 anos. A mesma rua está aí em cima. Ao fundo, o salão paroquial, que não havia em 1915. Foi construído em 1929, segundo informação do sempre atento César do Canto Machado, pesquisador de primeira linha.



Escrito por Carlos Damião às 17h28
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FOTO-TESTE

 

Nova contribuição do leitor Roney Prazeres para o nosso modesto foto-teste semanal. A imagem pertence ao arquivo do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina. A data atribuída é 1915. A pergunta: que rua é esta?



Escrito por Carlos Damião às 15h00
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LIBERDADE E SAUDADE

 

Uma imagem que captei quase por acaso: o bem-te-vi em pleno vôo. A foto foi registrada ontem, dia em que estava trabalhando com o Nelson Rosa, um figuraço, manezinho de primeira. Ele conhece qualquer passarinho e me fez lembrar meu pai, Wanderley, “passarinheiro” da Ilha, nascido na Lagoa. Esse bem-te-vi é dedicado à memória do meu pai, que homenageio neste 2 de novembro. Beijos de saudade também para os meus avós Carlos Werner e Amélia Schmitt Werner, Waldemiro Martins e Izabel de Abreu Martins, e meus tios Antônio, Wilson, Osmar, Vera, Walfrides e Egídio Lückman. Exceto o primeiro, que não conheci, tive uma boa e carinhosa convivência com todos os outros.



Escrito por Carlos Damião às 09h11
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RICARDO BAVASSO

 

Ele tinha cara de garotinho maroto, daqueles que estão sempre dispostos a aprontar alguma coisa no minuto seguinte, no seguinte e no seguinte.

Gay assumido, 43 anos, Ricardo Bavasso teve uma morte estúpida, cercada de mistério. Estava vestido de mulher e foi abandonado num terreno de um bairro de classe média alta de Florianópolis.

Foi o nosso segundo colunista social assassinado em circunstâncias estranhas. O primeiro foi Norton Batista da Silva, há 16 anos.

Guardo boas lembranças do Ricardo, das poucas vezes em que tive oportunidade de recebê-lo, tanto n'O Estado quanto n'A Notícia. Ele perseguia com obsessão o sonho de escrever uma coluna nos grandes jornais do Estado. Apresentou um projeto quando eu era o editor-chefe de O Estado. Não havia espaço para ele, mas ainda assim Ricardo colaborava com os colunistas da casa (Miro e Urbano), repassando notas e fotos.

Depois, quando me transferi para A Notícia, quem apareceu na minha primeira semana de trabalho? O próprio. Levou o mesmo projeto, todo decoradinho com papéis coloridos e recheado com dezenas de fotos. Ele aparecia em quase todas as imagens.

Como não conseguia acesso aos grandes jornais, ia escrevendo nos semanários e mensários dos bairros. Tinha um jeito meio ingênuo, se comportava como star, mas era um rapaz simples, de família simples, que tinha uma atuação marcante em campanhas de solidariedade (só por isso já merece qualquer homenagem).

A estupidez de sua morte coloca em destaque, mais uma vez, a história dos crimes cometidos contra homossexuais em Santa Catarina. São dezenas de casos, alguns insolúveis. A coisa é tão grave que os movimentos gays organizados defendem a implantação de uma delegacia especializada para investigar esses crimes e defender os rapazes.



Escrito por Carlos Damião às 00h43
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BRUXAS E OUTROS SERES FANTÁSTICOS

 

Houve até uma manifestação contra o Halloween em Florianópolis, sob a alegação de que os brasileiros valorizam demais o costume cultural “norte-americano”. Usaram o boi-de-mamão e o Saci Pererê como exemplos de “cultura local”.

Ótimo. É sempre bom debater, inquietar, provocar.

Mas o que não se disse – talvez porque os exagerados não saibam – é que o Halloween não é uma festa dos norte-americanos, em louvor às bruxas e outros seres fantásticos. O Halloween tem origem celta, assim como o Saci Pererê é uma variação do Negrinho do Pastoreio e de outras lendas africanas incorporadas pelo Brasil.

Quanto ao boi-de-mamão, há muitas interpretações para sua origem. Uma delas, que é bem-aceita, vincula o folguedo litorâneo de Santa Catarina às tradições do Oriente, mais precisamente da China. Teria chegado ao Ocidente através dos navegadores e foi mudando de formatação ao longo dos milênios.

Convenhamos: não existe cultura “pura”, tudo é influência de tudo. Ainda mais em tempos de globalização. O Halloween é estimulado ou curtido por quem quer. Ou, como se diz na Ilha de Santa Catarina, "se quésh, quésh... se não quésh, dish"!

P.S. --- Por que os críticos do Halloween não aproveitam o embalo para valorizar as nossas "Bruxas da Ilha?". Ou vão dizer que o Franklin Cascaes copiou a tradição dos norte-americanos?

 

* * *

 

Outro dia, numa roda de amigos, alguém defendia com intransigência a “música popular brasileira”. Qual música popular brasileira? -- eu quis saber. A do Zé Ramalho, do Tom Jobim, do Raul Seixas, do Caetano Veloso, da Cássia Eller ou do Chitãozinho e Xororó?

Esses rótulos são muito complicados.

Música que é boa não tem nacionalidade, tem qualidade. É por isso que hoje à noite vou matar a saudade da infância. Na vitrola, The Beach Boys. Conhecem?



Escrito por Carlos Damião às 17h10
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DE CASO COM A HISTÓRIA

 

Toda essa história envolvendo o PT (de novo) com ilegalidades na movimentação financeira da campanha de 2002 nos deixa apreensivos, desconfiados e aturdidos. Mas logo o PT? Por quê?

Há muitas perguntas sem resposta. A reportagem da revista Veja denuncia que o PT recebeu mais de US$ 3 milhões do governo cubano em 2002, para financiar a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva.

Não será a última matéria a envolver o PT em fatos escabrosos, incomuns e impossíveis de explicar.

Troquei idéias com um amigo jornalista sobre a questão. Somos ligados à reportagem política há mais de 20 anos. Nunca vimos ou ouvimos nada semelhante, exceto no caso Collor.

Espera aí... Caso Collor?

Quando estive na interinidade da coluna Canal Aberto, durante licença de seu titular (Cláudio Prisco), em junho, escrevi sobre as primeiras denúncias de Roberto Jefferson e os riscos que poderiam surgir a partir dali. Está lá, nos arquivos de A Notícia, dia 7 de junho, o seguinte comentário de abertura escrito por este blogueiro:

 "Risco institucional

 

A cúpula do PFL, reunida ontem, já falava em início de um processo de impeachment contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A 'lenha na fogueira' já era esperada. Há uma semana, quando o presidente do PTB, Roberto Jefferson, saiu na capa de uma revista nacional, já circulavam livremente comentários de que ali estaria a ponta de um novelo muito extenso. Jefferson, chamado pela revista de 'homem-bomba', confirmou esse qualificativo na entrevista a um jornal de circulação nacional, colocando mais água na fervura.

Parece evidente que a crise institucional se agravou nos últimos dias. A tese da CPI dos Correios ganhou força e não pode mais voltar atrás. Qualquer manobra para sepultar a investigação seria, neste momento, um gesto de suicídio político. O pior que pode acontecer, para os governistas, é a CPI dos Correios transformar-se numa investigação mais ampla, envolvendo o governo como um todo, e não mais apenas a empresa estatal.

A administração federal está sob suspeita. Para sair dessa ciranda de denúncias explosivas, só há três caminhos: comprovar a inocência dos ministros acusados, mostrando que Jefferson é mentiroso; caso não seja possível, fazer um mea culpa, seguido de uma reformulação completa do governo, com a exclusão do PTB, PP e PL. Seria um novo governo, sob o comando do presidente Lula, com a marca da seriedade e da governabilidade.

Não sendo assim, a alternativa que resta é a implosão do governo, tal qual aconteceu com a gestão de Fernando Collor. Quando Collor percebeu o estrago e tentou consertá-lo, era tarde demais, e o barco já fazia água. O presidente Lula, sobre quem não pesa nenhuma dúvida a propósito de seu caráter e de sua honestidade, precisa tomar uma atitude. No mínimo, para dar uma satisfação à sociedade, que confiou a ele a chefia do Executivo nacional, antes que a situação se torne insustentável". [7-6-2005]

NOTAS

 

1 - Por causa desse comentário fui “massacrado” nos dias subseqüentes. Não vou dizer por quem, mas por gente absolutamente insuspeita.

2 - Hoje alguém me observou que a história da Veja é muito fantasiosa, que a revista é suspeita etc. e tal. Será que a culpa, mais uma vez, é da imprensa?



Escrito por Carlos Damião às 21h47
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PRA ALIVIAR

 

Rodoviária de Tijucas (a 50 quilômetros de Florianópolis), tarde de sábado, 29 de outubro de 2005. Apesar de tudo, a pureza resiste.



Escrito por Carlos Damião às 21h43
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